14/03/2008
PAPO DE BOLA
Adilson Dutra
TONINHO MUDA O RUMO DA PROSA
A simples presença de Toninho Andrade, no banco do Americano FC, na quarta-feira, parece ter tido um efeito mágico sobre os jogadores alvinegros. Não vou dizer que o treinador usou esquema fantástico ou que tenha mudado a forma de jogar em apenas uma seção de treinos, ou nem isto, pois chegou na segunda, fez palestra na terça e na quarta foi para o jogo. Não posso creditar ao novo treinador um diploma de bruxo ou mago, mas que mudou a cara do time eu tenho certeza.
O que teria usado Toninho Andrade para motivar o grupo? Não sei. Não estive no Godofredo Cruz por estes dias, aliás, tem muito tempo que não apareço por lá, apesar dos convites de César Gama e Luciano Viana, sempre simpáticos com o colunista. A única coisa que encontro para trazer para os amigos deste Papo de Bola é a linguagem do boleiro. Toninho deve ter usado a conversa ao pé de ouvido, a motivação através da palavra, vinda do coração, e mostrado para eles que descer com o Americano seria como enterrar a carreira de cada um destes atletas. Deve ter sido isto ou a empatia do treinador, que tem na alegria de viver o seu grande trunfo.
COMO FICA? A vitória do América, a primeira em dez jogos, colocou mais lenha na fogueira do rebaixamento. Agora são cinco times com chances de cair e outros dois, ali, na “zona vermelha”. Vejamos: América, 5pg, Cardoso Moreira, Americano e Mesquita, todos com 7pg, e Resende, com 8pg. Estes são reais postulantes ao rebaixamento, mas com 10pg e com as barbas de molho estão Volta Redonda e Duque de Caxias. A diferença destes, para o América, é de cinco pontos e faltam cinco rodadas (quinze pontos) para serem jogadas. ET- Escrevo antes de Duque de Caxias x Botafogo, que foi jogado ontem à noite, mas como grande está ganhando fácil dos pequenos...
TORPEDO – Tenho conversado muito com os blogeiros, que freqüentam o Blog do Penacho, e, como sempre, tenho recebido alguns pitacos que trago aqui para o Papo de Bola e para que os leitores do Diário e do NF Esportes também possam interagir conosco através do e-mail da coluna. Meu companheiro Gustavo Rangel detona: “Adilson e demais amigos: só para efeito de reflexão, vejam o trio de arbitragem no jogo em que o América venceu o Madureira: Árbitro: Gutemberg de Paula Fonseca Assistentes: Carlo Wladimir dos Santos e Marçal Rodrigues Mendes. Será?”
TORPEDO 2 – Esta é do blogeiro Sebastião Oliveira Nascimento, anti-carioca (ele mesmo é quem diz) e anti-jornalistas atuais (outra declaração do próprio). “Cada vez que assisto Sportv e ESPN eu tenho a impressão de que o Dodô é melhor que Pelé, Léo Moura deixa Djalma Santos no chinelo, o Bruno é mil vezes melhor que o Gilmar dos Santos Neves, que o Souza é uma lenda viva e que deixaria Careca no banco. Tenho a impressão também, que no Rio existem mais de cinqüenta jogadores em nível de seleção brasileira. Que Joel Santana, Renato Gaúcho dão aulas em Telê Santana. E , finalmente, que o Flamengo atual é infinitamente superior ao Santos de Pelé. Como diria um craque (esse sim craque) dos anos 90 agora comentarista... É BRINCADEIRA”
COPA RIO – Esta competição, que reúne times da Segunda e da Terceira Divisões, vai dando seu recado e encantando ainda mais o interior do Estado do Rio. O Aperibeense, que venceu as quatro partidas (duas em casa e duas fora) é líder e já está aprontando seu time para a Segundona, que deve começar em julho. Está com um time forte, já disse isto aqui e repito, vem com todo gás para repetir o sucesso do Cardoso Moreira. Outro que surge com força total é o Quissamã, que cresce a cada ano que passa e aos poucos vai ganhando cancha e se tornando cada vez mais profissional. Aprendendo com o tempo e, como diz o Grilo, amigo lá de Aperibé: “Floresta e Cardoso Moreira fizeram escola e nos ensinaram o caminho das pedras”.
SAUDADE BOA – No calçadão, ontem pela manhã, um abraço apertado e gostoso recebi do velho conhecido Luiz Carlos Salsichão, lá de Itaocara, que brilhou intensamente com a camisa do glorioso Americano FC. Luiz, ciceroniano pelo Maguinho, esteve em Campos, por dois dias, e volta prá casa mais feliz que pinto no lixo, como diria o apolinho Washington Rodrigues. Presenciei um abraço do Luiz Carlos com o Cachola e vi como a saudade bate forte no coração destes craques, que marcaram época, e que época, no futebol campista. Isto é saudade, das boas, que nos faz sentir um aperto no peito e vontade de pedir que o tempo volte um pouco para que estes moços de hoje aprendam um pouquinho com aqueles verdadeiros amadores do futebol.
11/03/2008
PAPO DE BOLA
Adilson Dutra
CALÇA DE VELUDO OU...
O jogo desta quarta-feira, no Godofredo Cruz, é de vital importância para os dois adversários. O Americano, quatro pontos ganhos e um punhado de tradição na Elite do Futebol do Estado do Rio, recebe o Cardoso Moreira, sete pontos ganhos e uma baita vontade de continuar fazendo história na Primeira Divisão Fluminense. Dois times do Norte Fluminense e dois dos mais sérios concorrentes a uma das vagas do rebaixamento.
Não vou dizer que será um jogo de vida ou morte para qualquer dos dois, temos ainda mais cinco rodadas após a deste meio de semana e tanto alvinegros quanto tricolores têm tudo para fazer a recuperação dos pontos perdidos dentro de suas casas. Um detalhe apenas assusta os donos da casa: O time está com a alto estima em baixa e o torcedor não acredita em reação imediata, já que todos aqueles fanáticos, ouvidos pela coluna, dizem que o elenco é fraco e só com muita sorte a situação pode melhorar. Lá pelos lados de Cardoso Moreira há um clima de esperança, embora o desânimo também passe por perto do Estádio Antonio Ferreira de Medeiros, casa dos "Marrecos".
O que dá o favoritismo, pequeno diga-se de passagem, ao Americano é o fato de estar jogando no seu terreno, onde sempre se dá bem e poucas vezes deixou o Godofredo Cruz amargando derrota para os times de iguais condições. Porém este favoritismo cai quando o adversário vem mordido por duas derrotas dentro de casa e com a obrigação de pelo menos arrancar um ponto no terreiro do adversário para poder respirar aliviado. O empate, para os tricolores, cai como uma luva para sua briga pela salvação, o time permanece a três pontos do Americano, penúltimo colocado, e fica com o pescoço fora do atoleiro.
AINDA A TERCEIRONA - Sobre a coluna de domingo, quando coloquei aqui o pensamento de um dirigente interiorano, com a cabeça no lugar, e outro pensamento, de um misto de treinador/diretor, também do interior, recebi alguns e-mails comentando ou criticando o artigo. Um que me chamou a atenção foi do amigo e conterrâneo, José Souto, advogado radicado em Três Rios e que conhece bem os bastidores da Terceira Divisão, afinal é um dos homens de confiança do Paraíba do Sul e sabe onde a bota aperta o calo. Eis, na íntegra, o texto do Souto.
"Sou miracemense e gostaria de ver um time de minha cidade na Terceirona. Porém, tenho que entender todos os seus argumentos, que são ótimos e válidos, porque é a mais pura verdade. Conheço, de perto a situação e é necessário, ao menos 35 mil reais/mês, para um time participar da Terceira Divisão. Além disso, tem que dispor de um bom ônibus (alugar é inviável), além de uma excelente estrutura física. Com esse orçamento, o time pode pagar salário mínimo aos jogadores, mais R$ 1.500,00 para um técnico iniciante, mais R$ 1500,00 para um bom supervisor (tem que ser bom mesmo e profissional, senão acontece o que aconteceu com o Italva - inscrição de jogadores sem condições), mais um assessor de imprensa (800,00), roupeiro (500,00), fisioterapeuta (1000,00), treinador de goleiros (600,00), motorista (600,00), uniformes, chuteiras, medicamentos....não é fácil mesmo".
AINDA A TERCEIRONA 2 - Outro texto destacado pela coluna, vem de um jornalista que acompanha passo a passo o futebol interiorano, não tenho medo de dizer que Paulo Roberto Rodrigues é um profundo conhecedor do futebol dos pequenos, não fosse ele um homem com portas abertas em todos os clubes do interior do estado e da capital.
"Futebol profissional, mesmo que seja na Terceira Divisão, é muito caro e não é com qualquer cem reais que um time entra em uma competição, deficitária, como esta. Tire por base o que os times amadores da região gastam para disputar um campeonato dentro da cidade e multiplique por 10... Daí se tem uma idéia de quanto precisa. O meu sonho é ver cada cidade do Noroeste Fluminense com um time profissional, mas esse meu sonho se tornaria maior ainda com todos esses clubes cumprindos as suas obrigações e não entrando na competição para sair devendo a todo mundo e largar o campeonato no meio do caminho."
Dois textos, de dois companheiros de regiões distintas, mas que comprovam que a Terceira Divisão é viável, mas exige um gasto muito além do que os "amadores" dirigentes do interior possa compreender. Uma pena, mas o sonho de muitos pode acabar no nascedouro.
04/03/2008
PAPO DE BOLA
Adilson Dutra
SÉRIE C – Dificilmente teremos um time do Rio na Série C, em 2009. Por quê? O presidente Ricardo Teixeira, da CBF, em entrevista ao jornalista do Globo, Jorge Luiz Rodrigues, diz que para o próximo ano sua meta de colocar vinte clubes em cada uma das três divisões brasileiras será cumprida. “Os quatro rebaixados da Série B, em 2008, se juntam aos dezesseis mais bem classificados do torneio deste ano, a partir do quinto lugar, para formar a Série C de 2009, que também terá vinte equipes”, diz o presidente da CBF. Visto que os daqui fazem apenas figuração e com a pífia campanha deste ano no Estadual Fluminense, é provável que o Estado do Rio tenha apenas os quatro grandes, Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense, nas três divisões do futebol brasileiro. Dura verdade, que retrata a decadência do futebol do nosso estado.
BRIGA DE FOICE – Duas realidades foram comprovadas nesta abertura do Segundo Turno do Estadual do Rio. A primeira, que todos já sabiam com antecedência, é a confirmação da extravagante superioridade dos grandes sobre os pequenos, que investiram em refugos ou em ex-jogadores em atividade. A segunda, mais triste, foi a constatação de que o América é candidato real ao rebaixamento e, mais grave ainda, para nós do Norte do Estado, que o Americano briga diretamente com o Cardoso Moreira para não ocupar a segunda vaga do rebaixamento. Com os grupos de jogadores que montaram, mesmo com a troca de comandantes, era mesmo impossível acreditar em sucesso destes times que hoje lutam apenas para permanecer na Primeira Divisão. Repito: Dura verdade, que retrata a decadência do futebol do nosso estado.
BRIGA DE FOICE 2 – Um comentário, postado no Blog do Penacho, traduz tudo o que está acontecendo com o futebol do Rio, principalmente o do interior, que aos poucos foi ganhando espaço contra tudo e contra todos. Os interioranos estão sendo impedidos, pelos homens da capital, de levar adiante a saga de conquistar todas as vagas disponíveis aos pequenos. Com as quedas de Bangu, Bonsucesso, Portuguesa, Olaria e Campo Grande, restaram apenas Madureira e América para os cariocas. O sucesso do Americano, nunca digerido por eles, fez eco e surgiram Volta Redonda, Friburguense e Cabofriense, que chegaram prá ficar. Se não fossem as más administrações, que derrubaram o Serrano, de Petrópolis, e o Goytacaz, de Campos, o interior estaria dominando nosso futebol. Hoje, como diz Ricardo Pohlmann, cairia muito bem para a Ferj derrubar duas equipes do Norte Fluminense, só não derruba os três porque o regulamento não permite, só caem dois. Portanto, o Macaé fica e os outros dois (Americano e Cardoso Moreira devem cair ).
LAMENTAÇÕES – Começou o segundo turno e as reclamações já estão no ar. O chororô começou no último jogo da Taça Guanabara, com o Botafogo reclamando de Marcelo de Lima Henrique. Agora é a vez de o Macaé Esporte detonar Alex Borges Pedro, se bem que neste caso os dirigentes avisaram antes do jogo contra o Madureira, no sábado, o que poderia ocorrer em Conselheiro Galvão. Lembrando uma frase de Juca Kfouri, no programa de debates da Espn-Brasil, segunda à noite: "Eu só vou dar crédito a choro ou lamentações quando estes chorões vierem a público dizer que seus times foram favorecidos. Bebeto de Freitas não foi para os corredores dizer que o árbitro "garfou" o América, em 2006, nem mesmo os tricolores reclamaram de Zé Roberto Writh, em 85". Então eu estou com o Juca, só vou dar crédito quando estes chorões derem o braço a torcer. Combinado?
PAPÃO DO NOROESTE – O Aperibeense está fazendo jus ao apelido de Papão do Noroeste Fluminense. Depois de uma excelente participação no Estadual da Terceira Divisão, foi vice-campeão e ganhou o direito de jogar a Segundona, em 2008, o alvinegro de Aperibé surge agora como o grande nome da Copa Rio de Profissionais, que chega a terceira rodada com o Galo de Aperibé com nove pontos, três vitórias em três jogos, e cinco pontos a frente do segundo colocado do Grupo B da competição. No outro grupo o Quissamã busca uma vaga para a fase seguinte e o adversário a ser batido é o campeão da Terceirona, o Sendas, já que o Olaria está com cem por cento de aproveitamento neste início de torneio. O Aperibeense venceu o Campo Grande, de virada, lá no Ítalo Del Cima, no sábado, por 3x1 e Adão, artilheiro dos campeonatos municipais da região, mostra mais uma vez que merece uma chance em um time de maior investimento
29/02/2008
PAPO DE BOLA
Adilson Dutra
VALE O CHORO, MAS NÃO CONCORDO
Desde novembro o alvinegro campista já sabia que a tabela lhe era desfavorável. O chororô de agora, parece que é coisa de alvinegro carioca, vem mais forte e algo me diz que é ensaio de desculpa para uma possível campanha ruim.
Não acho a tabela tão prejudicial assim, a deste segundo turno claro. Veja só como ela foi distribuída: Americano faz dois jogos fora, Caxias e Flamengo (este obrigatório), logo depois um em casa (Cardoso Moreira), que pode ser o fiel da balança, como será o jogo na Baixada Fluminense, na primeira rodada. São adversários diretos na briga pela permanência na Elite.
Na seqüência t a coisa não é tão feia assim: Fluminense (obrigatório), fora de casa, América e Voltaço, ambos em casa e contra adversários do mesmo porte. Se for cumprir a risca o prognóstico o Americano poderá fazer dez pontos, um empate na Baixada e três vitórias em casa, e definir sua situação nos jogos fora, Boavista e Macaé.
Será que os times concorrentes, Cardoso, América, Resende e Caxias, terão bagagem para fazer os dez pontos em casa, nas três partidas que a tabela determina? O Americano sempre foi azarão do Fluminense, principalmente quando joga fora de Campos, e um empate lá no Maracanã, em um dos dois jogos, até que pegava bem.
Não concordo com o chororô alvinegro. Em minha opinião a tabela não foi tão ruim assim, porque Voltaço é duro lá em Volta Redonda e o pegar o América só é sofrido quando o jogo é lá em Edson Passos.
Vamos repensar, torcida alvinegra, e entrar na Ta